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Educação na rede

Postado em : 20-05-2011 | Por : Rafael Comin | Em : Notícias

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Matéria de Daniella Faria publicada no Jornal O Nacional da cidade de Passo Fundo.

As redes sociais são consideradas as febres da internet, principalmente entre as crianças e adolescentes. Blogs, Twitter, Facebook, Orkut, Flickr e Youtube são alguns dos exemplos. Entretanto, a maioria dos laboratórios de informática das escolas proíbe o acesso a esse tipo de conteúdo. Muitos professores consideram que, sem um direcionamento do uso, eles acabam desviando a atenção do aluno na hora da aula.Mas aos poucos essa visão vem mudando. Alguns estabelecimentos de ensino já têm caído nas graças das redes sociais agregando-as a um novo modo de ensinar. Antes usadas somente para divulgar a instituição de ensino, os professores têm encontrado uma nova alternativa. Até mesmo o material didático de cada aula e de cada turma tem sido disponibilizado em blogs.

Para a professora da Escola de Sistemas de Informação da Imed, Márcia Rodrigues, o uso das redes sociais no âmbito da educação requer alguns cuidados. “Começamos a utilizar as redes sociais há aproximadamente 10 anos, porém agora elas fazem parte integral de nossas vidas”, avalia.Elas ganham a cada dia novos adeptos e, assim, a sociedade é beneficiada em diversas áreas. Na educação não é diferente, pois as escolas também podem ser favorecidas. Entretanto, para isso se faz necessário acompanhar o rumo da sociedade. Alguns professores e alunos já estão familiarizados com as redes sociais e as utilizam para fins de entretenimento. “É um caminho sem volta como muitos profissionais da educação já reconhecem, entretanto fazer uso pessoal das redes sociais é diferente de integrá-la na prática pedagógica do professor”, ressalta Márcia.Fazer uso intencional das ferramentas e recursos disponíveis na internet implica em pelo menos duas questões muito discutidas por especialistas na área de educação, como a formação e a mudança da prática pedagógica. “No momento em que os professores se apropriarem dos recursos disponíveis da internet e identificarem o real potencial das redes sociais virtuais, eles vão perceber que suas aulas podem ir além dos muros da instituição/escola ampliando o conhecimento adquirido na sala de aula”, destaca. Ela enfatiza ainda que quando houver a compreensão de como elas podem contribuir para a troca de idéias, disseminação, construção de conhecimentos e principalmente a ampliação das relações sociais, os professores terão outros ganhos agregando e ampliando o seu papel de educador.

Utilização de algumas ferramentas:

Twitter

Na Imed, por exemplo, os professores passam por um programa de capacitação para utilizar as redes sociais como o Twitter em seus processos educativos. Utilizam a rede em questões pragmáticas, baseando primeiramente em suas próprias experiências. A partir da criação de comunidades de alunos é possível twittar sobre os temas discutidos em sala de aula ou assuntos que estão em destaque. O Twitter pode ajudar em discussões sobre personagens, professores que estão em outra cidade, podendo inclusive transformar a ferramenta em uma sala de conferência. Outra prática pedagógica é conduzir os alunos para um laboratório com acesso à internet, criando um tema para discussão e solicitar que cada participante imediatamente escreva a continuidade do texto do outro. Dessa forma é possível avaliar o entendimento e o desempenho de maneira participativa e colaborativa. Diante disso, percebe-se que não existem problemas na existência das redes sociais, quando o professor consegue aliar-se a elas de forma a incluir em sua prática pedagógica as técnicas e incentivos para mobilizar os alunos na construção dos saberes. O professor de Sistemas de Informações Gerenciais e Marketing Digital da Imed, Rafael Comin, também compartilha da ideia. Ele diz que as redes sociais são uma nova forma de aprendizado, comunicação e conexão. Hoje alunos e professores podem trocar informação e conhecimento numa velocidade inimaginável. “A troca de informações é constante. As redes sociais proporcionam um avanço no ensino, pois, quebram as barreiras geográficas e alcançam todos em qualquer lugar do mundo. A Imed pertence a esse mundo digital, e já colheu os bons resultados, uma faculdade moderna, ligada ao futuro e as novas ideias. Hoje possuímos Facebook, Orkut, Twitter, Flickr e canais no Youtube”, finaliza.

Blog

O uso dos blogs pelo Colégio Marista Conceição é realidade há mais de cinco anos. O blog funciona como um diário de classe, só que publicado na internet. No site do Colégio, no ambiente de Sala de Aula, há uma página onde estão hiperligados todos os blogs da escola. No total, são mais de 30 blogs disponíveis para a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio. Na Educação Infantil e Ensino Fundamental, os blogs estão separados por séries, já no Ensino Médio, a divisão é por disciplina. Todas as postagens têm a finalidade única e exclusivamente pedagógica, sob supervisão de uma das professoras de Informática do Colégio, Nilza Machado. “O uso da ferramenta funcionou muito bem desde o começo, e o retorno é garantido, e não só dos alunos, mas também dos pais”, cita a professora.Cláudia Brenner, professora de química, é uma das que mais utiliza a ferramenta. “O interesse dos alunos aumenta quando se tem em mãos ferramentas como os blogs. O rendimento é muito melhor se comparado à época em que os professores não utilizavam a internet ao seu favor”, conta. O Blog de Química é direcionado aos alunos do Ensino Médio e dentre os diversos conteúdos, estão aulas em vídeo, apresentações de slides, dicas de estudos, resumos para provas, links de sites sobre conteúdos das disciplinas, testes de vestibular, e muitos outros conteúdos referentes à área. “Os alunos mesmo dão dicas do que querem ver postado no blog. Quais as substâncias estão envolvidas no processo da paixão, por exemplo, é o dia a dia da adolescência se tornando conteúdo de sala de aula, e isso faz com que eles gostem mais de química, já que é uma disciplina que muitos têm certa resistência”, cita. A participação dos alunos fica em torno de 90%, o que demonstra o sucesso do uso dos blogs pelo colégio.

O Poder Da Concorrência

Postado em : 22-03-2011 | Por : Rafael Comin | Em : Notícias

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Matéria publicada por Crislaine Coscarelli na edição 685 (19.Nov) da Revista Isto É Dinheiro.

McDonald’s redesenha o fast-food


A rede inicia um ambicioso plano para reinventar todas as suas lojas ao redor do mundo. A meta: transformar as lanchonetes em confortáveis restaurantes



O sonho de quase todo empreendedor é fazer com que sua empresa cresça a ponto de se tornar um gigante. Quanto maior uma companhia é, mais força ela terá para se impor perante os concorrentes.
Mas o que, num primeiro momento, parece uma vantagem pode ser o calcanhar de aquiles. É que o gigantismo traz consigo um problema que pode comprometer o futuro de uma empresa: a lentidão para se locomover. A rede americana de fast- food McDonald’s, com 31 mil unidades espalhadas em 117 países e um faturamento de US$ 22 bilhões, sabe disso. Nos últimos anos, a rede tem se mexido para não perder terreno para os concorrentes – mesmo que esse movimento seja fruto de pressões da sociedade.

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Rabach, presidente: “Queremos oferecer ao cliente a oportunidade de viver novas experiências, criando uma atmosfera para que ele passe mais tempo nos restaurantes.”

Há mais de uma década, quando organizações de saúde passaram a questionar os hábitos alimentares da população mundial, a cadeia adaptou seu cardápio. Foi uma das primeiras redes de fast-food a oferecer opções mais saudáveis, como saladas, frutas e iogurtes.

Agora, diante do aumento da concorrência, a companhia se prepara para se mover novamente. A bola da vez é a arquitetura de suas lojas. A rede pôs em prática um ambicioso plano para remodelar seus pontos ao redor do mundo, convertendo suas lanchonetes em restaurantes confortáveis.

“Ter a melhor comida não é mais o suficiente”, diz Marcelo Rabach, presidente da Arcos Dourados, que opera o McDonald’s na América Latina. “Queremos oferecer ao cliente a oportunidade de viver novas experiências, criando uma atmosfera para que ele passe mais tempo nos restaurantes.”

A renovação das lojas é a segunda parte de uma estratégia global da companhia chamada de Plano para vencer. Ele abrange toda a rede e está baseado em três pilares: a renovação do cardápio (que já ocorreu), dos restaurantes e da forma de o consumidor fazer o seu pedido – este último, um passo ainda a ser dado.

Somente em 2011, a companhia deve investir cerca de US$ 2,4 bilhões para remodelar pelo menos 400 restaurantes nos EUA e outros 1.600 em outros países, além de construir mil novos ao redor do globo.

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O modelo americano: estima-se que sejam necessários US$ 400 mil para transformar as lanchonetes em restaurantes como este.

Boa parte dos custos dessa reformulação dos ambientes é paga pelos franqueados, mas, como incentivo, a empresa vai pagar 40% dos estimados US$ 400 mil necessários para as renovações das lojas maiores e mais bem localizadas. O visual das lojas está deixando de ser homogêneo.

“Não haverá mais aquele visual uniforme vermelho e amarelo como antes. Agora o McDonald’s será lembrado pelo seu visual colorido. Isso manterá a marca viva e nova”, conta Sebastian Magnasco, vice-presidente de desenvolvimento da Arcos Dourados para a América Latina.

Mas, afinal, qual será a nova cara do McDonald’s? As antigas “casinhas” padronizadas darão lugar a prédios modernos que acompanham o estilo arquitetônico da região onde estão instalados.

Em vez de apenas três ambientes, o salão principal, o espaço para as crianças brincarem e o McCafé, alguns restaurantes contam com até sete espaços distintos, um para cada tipo de público: crianças, pré-adolescentes, grupos de amigos, famílias, casais de namorados, executivos e até aqueles que preferem comer sozinhos.

As antigas cadeiras de plástico presas ao chão dão espaço para cadeiras soltas e confortáveis com estofados. As mesas-padrão de quatro lugares ganharam a companhia de grandes mesas redondas para famílias e grupos, além de balcões compridos para os solitários.
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Até mesmo o playground do Ronald McDonald’s mudou e se transformou no Espaço Ronald Gym. Nele, as crianças encontram brinquedos mais interativos e que exigem mais esforço físico, como parede de escalada, pequenas bicicletas ergométricas, cama elástica e uma miniquadra de basquete.

A empresa percebeu que aquelas crianças que frequentavam o McDonald’s no passado cresceram e a rede de alimentação quer explorar isso, sem perder o foco nos pequeninos. “No fim das contas, o público que vai ao McDonald’s hoje é o mesmo de antigamente, só que em idade e momento de vida diferentes”, afirma Maurício Queiroz, consultor especializado em design de consumo. “Oferecer um ambiente para cada um não é uma tarefa fácil”, diz.

O renascimento de design do McDonald’s teve início em Paris, mais especificamente na unidade em frente ao Museu do Louvre. Há uma década, em meio a protestos dos franceses contra a globalização, Pierre Woreczek, diretor de estratégia para o McDonald’s Europa, percebeu que a companhia precisava se modernizar se quisesse ter um futuro no continente. Woreczek bateu à porta de um dos principais designers da França, Philippe Avanzi, para entender o que precisava ser corrigido.

Juntos, eles descobriram que as diferenças culturais pesavam na decisão dos consumidores. Diferentemente dos americanos, os franceses — assim como a maioria dos latinos — não “beliscam” na hora do almoço.

Eles fazem uma refeição completa, fato que afetava diretamente a rede, já que ela não oferecia locais confortáveis que incentivassem o hábito. Trocar o mobiliário por cadeiras mais confortáveis e modernas foi o primeiro passo e parece ter dado resultado.

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Em 2006, as vendas no país dispararam de US$ 7,1 bilhões para US$ 9,3 bilhões logo após as mudanças, sem nenhuma modificação no cardápio. O bom exemplo europeu fez a rede de fast-food — famosa pelo fato de oferecer o mesmo sanduíche, independentemente de onde esteja, seja no Japão, no Brasil ou na Rússia — abandonar a padronização nas ambientações.

Diante disso, a rede contratou a consultoria americana Ideo, especializada em inovação e design, para traçar um plano de reformulação geral. “É uma mudança estratégica porque sai do marketing de massa para focar no segmentado, sem mexer no cardápio”, diz Daniela Khauaja, coordenadora de pós-graduação em marketing da ESPM.

A professora afirma que a ambientação variada é, na verdade, uma tendência mundial e tem atraído muitos consumidores, já que as pessoas estão mesmo em busca de experiências mais agradáveis.

Um dos primeiros restaurantes a adotar as várias ambientações no Brasil está localizado em Sorocaba, interior de São Paulo. Lá o consumidor irá encontrar mesas comunitárias para grupos, assim como algumas apenas para casais, em um canto mais reservado do restaurante, à meia-luz.

No segundo andar, há poltronas confortáveis estrategicamente localizadas próximo à parede de vidro. O espaço é reservado para aqueles que querem apreciar, sozinhos, a refeição e a ampla vista que o lugar oferece. As crianças encontram brinquedos mais interativos e divertidos no espaço Ronald Gym.

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Já o McCafé atrai executivos, pois encontram ali um lugar mais reservado e acesso gratuito à internet. Do lado de fora do restaurante foi instalado um quiosque de sorvetes, com mesas e cadeiras de madeira, ponto de encontro dos adolescentes da cidade no retorno da escola.

“Temos recebido comitivas de vários países que nos visitam para ver como é possível abrigar tantos ambientes em um mesmo restaurante”, diz Claudio Costa, franqueado da rede e dono da unidade.

Prevendo o avanço da concorrência no Brasil, a oitava maior operação da rede no mundo, a companhia deu ordens para acelerar a estratégia por aqui. Cerca de 300 novos restaurantes devem ser abertos no País, nos próximos anos, já com esse design renovado.

A preocupação tem um motivo. A expansão da rede desacelerou nos últimos anos quando comparada com a dos rivais. Enquanto o McDonald’s cresceu 5% no País, em 2009, ao registrar R$ 3,5 bilhões de faturamento, o novato Burger King – que desembarcou por aqui só em 2004 – cresceu 20% e fechou o ano com receitas de cerca de R$ 400 milhões.

Desde sua aquisição pelo fundo brasileiro 3G Capital, do bilionário Jorge Paulo Lemann, o Burger King se tornou uma ameaça mais forte ao McDonald’s. Recentemente, a rede anunciou a abertura de 500 lojas na América Latina, sendo a maioria no Brasil.

O McDonald’s, definitivamente, não vai assistir ao avanço de seu concorrente parado. Por isso, vai apostar em cidades do interior de grandes Estados e, em especial, na região Norte como um todo.

A companhia já tem restaurantes no Pará, Amazonas, Tocantins e Rondônia e agora mira Roraima, Macapá e Acre. “A região se tornou atrativa porque a renda da população tem crescido muito rapidamente, principalmente entre as classes C e D”, afirma Rabach.

As Conseqüências da Mudança do Mercado

Postado em : 18-03-2011 | Por : Rafael Comin | Em : Notícias

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Matéria publicada por Claudia Silveira e Thiago Reis no site G1.

Em cinco anos, SP perde mais da metade das videolocadoras


Dos 4.800 estabelecimentos no estado em 2005, só 2 mil ainda funcionam. Pirataria e download ilegal são os vilões; blu-ray é tido como salvação.


As videolocadoras em São Paulo vivem um dilema. Após mais da metade das lojas fechar as portas no estado, algumas tentam ganhar o cliente pela boca, dando mais espaço para os itens de conveniência, como doces e bebidas. Outras passaram a também vender DVDs e investiram em um catálogo diferenciado, com filmes que não são facilmente encontrados nem em camelôs nem na web. Na tentativa de se manter em um mercado cada vez mais enxuto, todas depositam suas esperanças mesmo no Blu-Ray, nova tecnologia que, se também não for pirateada, pode impulsionar o movimento.“O horizonte é o blu-ray, porque não dá para piratear. A alta definição não dá para piratear nem fazer download. Por isso, está se apostando nessa nova mídia. É uma sobrevida para as videolocadoras”, diz Luciano Tadeu Damiani, presidente do Sindicato das Empresas Videolocadoras do Estado de São Paulo (Sindemvideo).

Segundo dados da associação, nos últimos cinco anos, o número de videolocadoras no estado passou de 4.800 para cerca de 2.000 – uma queda de quase 60%. Para Damiani, que tem uma videolocadora na Zona Oeste de São Paulo, a culpa é quase que exclusiva da pirataria. “A pirataria que na era do VHS estava concentrada na Santa Ifigênia, na Rua 25 de Março, na Galeria Pagé, ficou desenfreada com os DVDs. A pirataria foi para o ponto de ônibus, para cada esquina.”

E o problema, diz, é que a crise pegou tanto a loja grande quanto a pequena. “Aquele que era um investidor, e não um amante do cinema, quando viu que a rentabilidade não era a mesma, mudou de atividade”, observa.Fim do disco e da caixinha

O empresário Fred Botelho, sócio-proprietário da rede 2001, está no mercado há 28 anos e não enxerga o futuro deste ramo com otimismo. “O blu-ray não pegou nem no exterior nem aqui”, afirma Botelho, que mira longe. “O suporte físico vai acabar. As pessoas não vão ter mais nem o disco nem a caixinha”, vislumbra ele, sem palpitar em quantos anos isso deve acontecer.

Apesar do alarde, o fim do DVD e do blu-ray não preocupa a atriz Simone de Lucia, de 43 anos. Ela, que calcula ter cerca de mil DVDs em casa, vai à videolocadora ao menos duas vezes por mês. Na mais recente, procurava um DVD para dar de presente para um amigo. “Eu acho legal poder olhar as capas, escolher. É como um livro. A gente pode ler na internet, mas não é a mesma coisa. Eu gosto mesmo de ler o livro de papel, de ter o livro. É assim também com filmes.”

A advogada Patrícia Diez, de 41 anos, faz parte do grupo que vai à videolocadora em busca de títulos difíceis de encontrar. “Procuro filmes de arte, de diretores específicos”, conta. “Eu alugo bastante, toda semana. Não tenho TV a cabo em casa e prefiro gastar o dinheiro comprando ou alugando filmes.”

O fechamento de algumas locadoras pode ser lucrativo para outras. Fred Botelho conta que depois que a Blockbuster fechou as portas ele ganhou vários clientes órfãos da concorrente. “Minhas vendas de DVD caíram 42% de três anos pra cá. Já a locação cresceu bastante.” Para o empresário, o desafio é constante. “Manter cliente hoje não é fácil. A gente tenta mostrar que é legal ir até a loja porque tem a relação humana, e nós ainda fazemos promoções.”É a relação humana que tira de casa a administradora de empresas Marcia Ferraz, de 45 anos. Com três filhas de idades diferentes (5, 10 e 15 anos), ela recorre aos atendentes para ouvir sugestões sobre o que assistir. “Alugo DVD quase toda semana. A gente adora assistir em família”.

Para o comerciante Tiokio Ogusuka, dono da Local Vídeo, na Zona Oeste de São Paulo, o futuro das videolocadoras é incerto, mas ainda não é hora de jogar a toalha. A cada três DVDs novos que ele compra, um blu-ray entra no acervo de mais de 10 mil títulos. Ogusuka passou a alugar também jogos de videogame do PS3.

“Eu percebo que as pessoas estão mudando hábitos, que estão deixando a pirataria de lado e voltando à videolocadora”, diz o empresário, que está no ramo há 20 anos e se mostra otimista quanto ao rumo dos negócios, assim como o presidente da Sindemvideo. “Não consigo ver o fim do mercado de locação. Ele vai se alterar de acordo com a tecnologia. Mas não vai acabar”, profetiza Damiani.

Como Ganhar Dinheiro Na Internet

Postado em : 15-03-2011 | Por : Rafael Comin | Em : Notícias

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A Matéria publicada por Bruno Ferrari e Carlos Giffoni na edição 653 da Revista Época – 22 de Novembro de 2010 mostra como algumas empresas estão faturando milhões com a internet.

Eles exploram a internet da nova década: superpovoada, móvel e em banda larga. Já ganharam milhões de reais – ou estão a caminho. O que temos a aprender com eles???


Surge no Brasil uma nova geração de empreendedores da internet. Os mais bem-sucedidos deles já estão faturando alguns milhões de reais. São jovens, nascidos nos anos 80, mas formam uma “geração” por outros motivos mais importantes. Como seus antecessores, eles largaram a segurança de empregos promissores e arriscaram suas economias num negócio próprio. Mas os sonhos são diferentes. Essa turma não pretende revolucionar o jeito que usamos a internet, nem criar novos Googles ou Facebooks, nem abrir o capital na Bolsa (ao menos por enquanto). Eles enfrentam outro tipo de desafio: conseguir chamar a atenção das empresas e dos internautas no novo universo digital brasileiro – quase 52 milhões de usuários de internet, 18 milhões acessando a rede por meio de dispositivos móveis como celulares e 13 milhões deles com banda larga fixa. Os novos empreendedores têm sorte. A infraestrutura necessária para colocar um site no ar tornou-se mais barata e fácil de contratar. Por isso, ficou mais simples pôr em prática uma boa ideia – mas a concorrência aumentou. Para inspirar jovens talentosos, ÉPOCA selecionou oito empresas brasileiras comandadas por jovens, cuja trajetória é promissora.

O que caracteriza empreitadas vencedoras como essas? A consultoria americana Ernst & Young tentou responder recentemente a essa pergunta com um estudo chamado Connecting innovation to profit (Conectando lucro com inovação), realizado com um grupo de novos empreendedores nos Estados Unidos. Segundo o estudo, pelo menos 50% do faturamento das empresas novatas deve vir de fontes que ainda não existem, ou seja, de novas necessidades do mercado ou novas maneiras de explorar necessidades velhas. A pesquisa constatou também que há muito a garimpar em mercados ultraespecializados. “É mais fácil para uma empresa prosperar se ela se dedicar a um determinado nicho”, afirma Paulo Sergio Dortas, sócio da Ernst & Young. Histórias assim podem ser encontradas nas páginas seguintes, como a do site Flight Market, especializado em aviação, e da byMK, que encontrou um jeito original de entreter e lucrar com um setor tradicional, o de moda.

Foto: Marco Lopes/ÉPOCA, Tratamento de imagem: Caio Vasques, Produção: Andréa Sabino

Rogério Cassimiro/Época

Das novas empresas selecionadas pela consultoria, 82% tinham como parte fundamental da estratégia o desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de negócio. O tema deveria entrar na agenda de todo empresário que queira prosperar no longo prazo, seja qual for o porte de seu negócio. Essa preocupação, mais evidente nos empreendedores tecnológicos, foi tema de uma reportagem publicada na revista britânica The Economist. O artigo “O modelo brasileiro” afirma que o país precisa ser mais inovador para cumprir sua promessa de se tornar o “país do futuro”. E apresenta um cenário preocupante: investimos apenas 1,1% de nosso Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento, ante o 1,4% da China e os 3,4% do Japão. Esse é um dos motivos que levaram o Brasil a despencar no ranking mundial de países inovadores, passando da 50ª para a 68ª posição. Mais que isso. O Brasil tem uma burocracia atroz para as empresas (uma hipotética empresa média gastaria 2.600 horas de trabalho só para lidar com as exigências do governo, um dos piores cenários do mundo) e impostos, muitos impostos.

É um contrassenso. Qualquer economia necessita de empreendedores. Por definição, são eles que criam oportunidades. A situação no Brasil melhorou: no ano passado foram abertas 699 mil empresas, 6% a mais que em 2008, e o número de falências caiu. Mas ainda é pouco ante as necessidades do país. E não se sabe quantas delas são empresas que realmente têm plano de negócios. Segundo um estudo recente da consultoria americana Kauffman Foundation, empresas com idade entre um e cinco anos são responsáveis hoje por 64% das contratações nos EUA. Um exemplo local é o Peixe Urbano, site de compras coletivas que contratou 250 funcionários em apenas sete meses de existência.

O Peixe Urbano é o site mais conhecido do país no segmento de clube de compras, uma das maiores febres da internet brasileira. A expansão desse segmento virtual é comparável à explosão das pet shops como pequeno negócio promissor, no início da década. A compra coletiva funciona assim: um site como o Peixe Urbano sela acordos com locadoras de vídeo virtuais, restaurantes, bares e outros estabelecimentos e vende tíquetes por um preço muito abaixo do cobrado originalmente. A lógica é comprar muitas cotas, como se centenas ou milhares de clientes entrassem na loja ao mesmo tempo para comprar o mesmo item. O volume de vendas permite que o Peixe Urbano lucre, mesmo com o desconto para o freguês. O estabelecimento parceiro, além de conquistar novos consumidores, garante o movimento mesmo em dias ou épocas de procura menor (algumas ofertas estão limitadas a determinado dia e horário). Os 18 principais sites de compra coletiva no Brasil reuniram 7,4 milhões de internautas em outubro, segundo o Ibope Nielsen Online. É um crescimento de 33% em relação aos 5,6 milhões de usuários de setembro e de 155% desde julho, quando houve 2,9 milhões de acessos. Hoje, quase 20% dos internautas (40,6 milhões de ativos) visitam algum site de compra coletiva.

Daryan Dornelles/ÉPOCA

Essa febre representa um nicho num setor com ótimos resultados no Brasil – o de comércio eletrônico. O mercado atraiu uma série de grupos de investidores estrangeiros. “O crescimento médio das empresas brasileiras nesse mercado é superior a 25% ao ano, enquanto na Europa fica entre 5% e 10% e nos Estados Unidos entre 8% e 12%”, afirma o executivo Kai Schoppen, que passou por diversas empresas de investimento e hoje chefia as operações do BrandsClub, outro site de compras coletivas.

Em outro estudo, a consultoria Kauffman Foundation mostra que, embora a atuação das empresas de investimento varie conforme o humor da economia, o número de empresas criadas se mantém. Isso significa que os empreendedores aproveitam os investidores profissionais quando eles estão disponíveis, mas se viram sem eles quando é necessário. É o caso da brasileira Olho no Click. Apesar do planejamento de quase dois anos, os sócios não conseguiram encontrar investidores dispostos a financiar a empresa na época mais aguda da crise. O jeito foi reunir o capital inicial – cerca de R$ 500 mil – entre os sócios.

Rogério Cassimiro/Época

Um pequeno empreendimento pode se dar muito bem sem investidores profissionais – mas conquistá-los é um bom indicador do potencial da empreitada. É o caso da Samba Tech, que desenvolve tecnologia para distribuição de vídeo, e da boo-box, que desenvolve anúncios para redes sociais. Marco Gomes, um dos sócios, diz ter tido a ideia durante a madrugada, quando lia notícias de fofoca na internet e viu uma foto da Gisele Bündchen em Nova York. “Ela falava num celular Gradiente, segurava um Blackberry, carregava uma bolsa Louis Vuitton, vestia uma calça Gucci e calçava um All Star.” Nenhuma dessas marcas tinha um anúncio no site. Gomes achou que havia uma oportunidade. Reuniu dez amigos e, em 2006, colocou um protótipo da boo-box no ar. O aplicativo permitia que o internauta clicasse sobre produtos em fotos para abrir anúncios e comprá-los. A ideia de Gomes foi difundida pelo site de tecnologia americano TechCrunch, e logo vieram os investidores. O Monashees Capital aplicou US$ 300 mil e a Intel Capital anunciou na semana passada que também investirá. A boo-box tem hoje clientes como Itaú, Audi e Nike.

Rogério Cassimiro/Época

A nova geração ainda está longe de repetir a trajetória do maior caso de sucesso da internet brasileira da década que termina, o Buscapé. Criado por Romero Rodrigues no fim de 1999, na época um estudante universitário, o site de comparação de preços foi arrematado pelo grupo sul-africano Naspers, no fim do ano passado, por US$ 342 milhões. As novas empresas, porém, têm uma vantagem que os pioneiros digitais não tinham: casos de sucesso em que se inspirar e com cujos erros podem aprender. Os novos negócios na internet são um ótimo exemplo para mais gente empreender, inovar, criar empregos, fazer o país avançar. E ficar rica.

Filipe Redondo / ÉPOCA

Uma Ideia Milionária

Postado em : 15-03-2011 | Por : Rafael Comin | Em : Notícias

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Matéria publicada por Andre Valentin e Raul Junior na edição 150 da Revista Você S/A – Dezembro – 2010.

De olho no sucesso dos americanos, jovens empreendedores brasileiros estão abrindo empresas online de compras coletivas. Já tem gente contratando



Da direita para a esquerda, Alexander Tabor, Júlio Vasconcelos e Emerson Andrade, do site Peixe Urbano: eles trouxeram o modelo de negócio para o Brasil - Crédito: Andre Valentim / Raul Junior
Da direita para a esquerda, Alexander Tabor, Júlio Vasconcelos e Emerson Andrade, do site Peixe Urbano: eles trouxeram o modelo de negócio para o Brasil

Sabe aquela ideia simples, mas brilhantemente inovadora, que alguém teve e faz você se perguntar: “Por que eu não pensei nisso antes?”. Um exemplo é o do americano Mark Zuckerberg, de 26 anos, que fundou o Facebook, em 2004. De lá pra cá, a rede social atraiu 500 milhões de usuários e virou o site mais acessado dos Estados Unidos — uma vistosa vitrine para os anunciantes. O sucesso da rede fez de Mark um dos homens mais ricos do mundo.

Pois é, na internet, terreno fértil para inovações, isso sempre pode voltar a acontecer. “A web ainda é um ambiente que permite fazer grandes fortunas, porque concentra uma enorme massa de consumidores“, diz o presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Manuel Matos.

Recentemente, o mundo virtual fez mais um jovem milionário: o desenvolvedor de softwares Andrew Manson, de 29 anos, que, em março de 2009, criou um novo modelo de consumo na internet ao fundar, em Chicago, nos Estados Unidos, o primeiro site de compras coletivas no mundo: o Groupon, que já conta com 18 milhões de usuários e faturamento global de 500 milhões de dólares.

De olho no movimento dos Estados Unidos que, em um ano, passou a ter 200 empresas do segmento, empreendedores brasileiros resolveram trazer o modelo para cá. O primeiro a surgir por aqui, em março de 2010, foi o Peixe Urbano, fundado pelos amigos Júlio Vasconcelos, de 29 anos, Alexander Tabor, de 30, e Emerson Andrade, de 36.

Formado em marketing pela Universidade da Pensilvânia e com MBA em Stanford, na Califórnia, Júlio trabalhava no Vale do Silício, de onde assistiu de perto à febre do segmento. “Eu já queria voltar para o Brasil e montar meu próprio negócio na internet, com foco em ajudar as pessoas a descobrir coisas bacanas nas cidades onde moram”, diz Júlio.

Para ele, o modelo poderia dar certo aqui também, já que o brasileiro gosta de descontos e de compartilhar ideias com os outros. “Somos um povo muito social na internet.” Em dezembro do ano passado, o programador Alexander começou a colocar o site no ar enquanto Júlio batia de porta em porta para buscar os primeiros clientes. Emerson, com veia comercial, logo se juntou ao grupo. Em março, lançaram a primeira oferta no Rio de Janeiro.

Hoje, já estão em 25 cidades. “Começamos com uma equipe de cinco pessoas e, em menos de sete meses, já são mais de 200.” O Peixe Urbano tem 40 vagas abertas. Segundo o Ibope Nielsen, o site foi acessado por 2 milhões de pessoas apenas no mês de julho. Ainda em março, um grupo de três sócios investidores e quatro sócio gestores criava um novo site, o Clickon, que lançou, em maio, a primeira oferta em São Paulo.

Com vasta experiência em empresas em início de operação, Marcelo Macedo, de 35 anos, com passagens pelos bancos Morgan Stanley e Itaú, começou comandando uma equipe de dez pessoas que, em menos de cinco meses, se transformou em 120. A previsão é triplicar o time até o fi m de 2011. Diante das boas previsões, a expectativa dos funcionários de crescimento na carreira é grande. “Faz parte de nossa cultura: se o cara tem boa performance, ganha participação societária”, diz Marcelo.

Marcelo Macedo, 35 anos, do Clickon: da carreira bemsucedida em bancos para o mercado da internet

JOVENS E MILIONÁRIOS
É um mercado que faturou mais de 60 milhões de reais nos últimos seis meses e, agora, chega a faturar 20 milhões a cada semana. “A expectativa é que o setor arrecade 500 milhões em 2011″, diz Marcelo. O Peixe Urbano, o Clickon e o Groupon ClubeUrbano são, juntos, responsáveis por 90% do mercado.

O Groupon brasileiro aportou por aqui em junho e pretende chegar a 40 cidades até o fi m do ano. Os empresários evitam divulgar os números de faturamento. Mas, considerando que as empresas do setor adotam o modelo de negócio em que 50% do lucro vai para o acionista e 50% para o site, em breve os primeiros jovens milionários devem ganhar notoriedade.

COMO OS SITES FUNCIONAM?
O site de compras coletivas lança uma oferta por dia, que varia de 50% a 90% de desconto e manda por e-mail aos usuários cadastrados. As promoções duram de 24 a 72 horas (dependendo do site) e, se nesse período o número mínimo de vouchers for vendido, os compradores recebem um cupom com validade de até seis meses para aproveitar o serviço. Os parceiros ganham com a exposição de sua marca em uma ação de marketing sem custos e ainda têm a garantia de uma grande quantidade de clientes conhecendo os estabelecimentos.

QUEM ELES PROCURAM?
Novas empresas estão surgindo e outras se consolidando e ampliando suas atuações, o que significa o surgimento de novas vagas. Esse mercado emprega pessoas da área comercial, que vão atuar propondo a parceria entre o comércio local das cidades e os sites de compras coletivas. Também há vagas para o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) e para profissionais de comunicação, tanto jornalistas quanto publicitários, que serão os redatores das ofertas. Além dos profissionais de tecnologia da informação, que são essenciais para manter os sites 24 horas no ar sem problemas.

SÃO PESSOAS COM ESPÍRITO INOVADOR E QUE GOSTEM DE UM TRABALHO DINÂMICO, QUE ESTÁ SEMPRE MUDANDO, JÁ QUE É UMA EMPRESA QUE CRESCE MUITO RÁPIDO E TEM NOVOS DESAFIOS A CADA DIA
Júlio Vasconcelos